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The art of living

13
Jan21

A poesia e eu

Mafalda

Gosto de poesia, particularmente daquela que não rima e quase que parece prosa, mas não é. Aquelas estrofes que têm a habilidade de se mascararem como poemas mas que na verdade são pura magia na forma de letras impressas num papel.

Admito porém que ler poesia é uma arte da qual não sou mestre. Os meus olhos juntam as letras, e depois as palavras e encontro a cadência perfeita com que cada verso segue o próximo, mas mesmo assim, por mais que repita a poesia, não consigo encontrar o seu significado. Talvez porque ainda não vivi vida o suficiente para que consiga perceber o seu sentido, ou talvez porque a poesia é feita assim, dificilmente bela.

No entanto, sempre que leio um poema, ao mesmo tempo que o meu cérebro confuso se agita, sinto o meu coração a fugir-me do peito. Como se a poesia fosse o hélio que o abastecesse. Por vezes o meu coração viaja até ao meu estômago que se sente arrebatado, por outras voa até aos meus olhos para os deixar humedecidos. 

Eu e a poesia somos assim, não a compreendo na sua totalidade, mas sinto-a em todas as suas formas.

(abaixo fica um dos poemas que fez o meu coração fugir do peito)

"Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.

O que agradece que na terra haja música.

O que descobre com prazer uma etimologia.

Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.

O ceramista que premedita uma cor e uma forma.

O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.

Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.

O que acarinha um animal adormecido.

O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.

O que agradece que na terra haja Stevenson.

O que prefere que os outros tenham razão.

Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo"

      - Jorge Luis Borges

 

 

 

 

10
Jan21

2021

Mafalda

Costumo começar os anos sempre da mesma maneira. Ao longo de dia 31 leio o meu calendário do ano que está prestes a terminar (eu sei que parece estranho, mas por vezes encontro gatafunhos que me fazem sorrir, e por outras eventos que me esqueci já que tinham acontecido e que me trazem boas memórias), faço uma lista de objectivos para o ano que aí vem, e bem perto da meia-noite queimo uma folha com todas as minhas amarguras, para que fiquem em cinzas no ano velho.

Este ano foi diferente. É dia 10 de Janeiro e só tenho ainda uma resolução: ser mais gentil comigo própria e com os outros. Não queimei magoas antigas, não revi o meu ano. Não acreditei em superstições.

2020 não foi um ano bom para mim, tal como não o foi para tantas pessoas à volta do mundo. No entanto quando as 12 badaladas tocaram e o céu se encheu de fogo de artifício (este ano a vizinhança quase toda investiu nele, deviam querer mesmo expulsar o ano antigo) não celebrei o seu fim.

Em 2020 cresci, andei perdida no meio da escuridão que a vida às vezes traz e no meio de tantos percalços aprendi que a vida é mesmo assim, e que não era 2020 que estava amaldiçoado, eram as pessoas.

Este ano, prometi a mim mesma que vou redescobrir a arte de gostar da minha própria companhia e de trabalhar em tudo aquilo em que não gosto (por exemplo o meu mau-feitio matinal). 2021 não vai ser diferente de 2020, mas eu serei um bocadinho diferente do que fui no dia anterior.

Este post vem com um atraso de 10 dias ou talvez venha com um atraso de meses, no entanto já dizia o ditado que mais vale tarde do que nunca, e eu estou pronta para começar.

08
Out20

Workaholic

Mafalda

Não sei qual o destino, mas tenho muita pressa de chegar.

Temos todos.

Vivemos assim, a vida em modo turbo, como se fazer fast-foward fosse a única opção, e a mais válida.

Não tenho andado por aqui ultimamente, e se me perguntarem porquê a verdade é que tenho andado ocupada. Mas, pensando na questão, tenho andado ocupada ou tenho me mantido ocupada?

Tenho reparado que não sei o que fazer com o meu tempo quando não há objectivos, pressão...enfim, trabalho.

Será que somos todos workaholics? Ou sou só eu deste lado que me apercebi que já não sei viver sem ser neste ritmo louco, que me impede de desfrutar a vida?

 

06
Out20

À família que ganhamos no caminho

Mafalda

Há pessoas que são parte intrínseca da nossa vida. Aquelas que estão cá desde que nos lembramos, e aquelas que nem sempre estiveram mas que temos a sensação que conhecemos há uma vida inteira.

São a família que escolhemos, aquela que temos a sorte de ganhar pelo caminho.

Tenho muita gente que se enquadra nessa categoria: os amigos dos meus pais que cuidaram muitas vezes de mim como se fosse sua filha, os filhos dos amigos dos meus pais, que embora nem sempre perto foram constantes pela minha infância, aqueles que conheci no primeiro dia de escola ou aqueles que só apareceram mais tarde, mas deixaram uma marca. Esta é uma mensagem de agradecimento para aqueles que ficam, e que mesmo longe se fazem sentir perto, como se nunca se tivessem ido embora.

Obrigada.

Pelas noites em que cantámos tão alto que a voz nos faltou de manhã.

Pelos dias a correr na areia húmida da praia sem nenhuma preocupação na alma.

Pelas mãos que seguraram as minhas quando me senti perdida.

Pelo abraço amigo sempre pronto à minha espera, a minha casa ambulante.

Aos meus tios e irmãos de coração, obrigada, crescer ao vosso lado foi e é um dos maiores privilégios da minha vida.

 

 

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