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The art of living

O mundo tem de mudar (eis o porquê)

Mafalda, 28.06.20

Muitas vezes apetece-me gritar com o mundo. Abaná-lo um bocadinho (a vossa sorte é ser baixinha e ter pouca força, se não já eram).

Um desses dias foi ontem. O André Ventura mais uma vez decidiu armar-se em palerma (tenho cá comigo que isto já andam a ser vezes a mais), e desta vez decidiu fazer uma manifestação contra um protesto de igualdade. Parece-me completamente ridículo, mas sabem o que me chocou mais? Ver que apareceram pessoas.

Eu sei que não foram assim tantas, nem a 300 deviam chegar, mas não é motivo preocuparmo-nos mesmo que só apareça uma?

Eu sei que não vivemos numa utopia, e que será muito difícil termos toda a gente a concordar com a igualdade, mas a igualdade não devia ser uma coisa que se concorda ou não. Não é uma opinião, é um direito básico.

Chego assim ao título deste post: O mundo tem de mudar. Para os meus leitores, que estão do lado de "todas as vidas importam" (se quiserem educar-se neste assunto recomendo vivamente este artigo), que pensam que fazer parte da comunidade LGBTQI+ é uma doença, que acham que a religião islâmica é o mesmo que terrorismo, que pensam que os estrangeiros, ciganos ou qualquer etnia nos rouba dinheiro e/ou trabalho, talvez seja a altura certa para ouvir este lado da conversa.

É verdade que sim, muitas vezes me apetece abanar o mundo e gritar-lhe, mas também me apetece estabelecer diálogo com o outro lado, falar sobre aquilo que interessa, tentar educar (e também ouvir) aqueles que querem aprender mais.

Acho que o problema do mundo é perder-se nas causas e focar-se demasiado nelas. E se pensarmos no panorama maior?

Todos estes movimentos que lutam pela igualdade, pela tolerância, pela compreensão são na verdade sobre pessoas. Pessoas como cada um de nós, que independentemente da crença religiosa, da orientação sexual, da cor da pele ou da etnia, têm família, e amigos e sonhos e desejos para o futuro. Na base do nosso ser somos apenas isso, humanos.

E se somos todos humanos, mesmo com todas as nossas diferenças, porque é que não merecemos todos o mesmo? E mesmo que o racismo não exista em Portugal (algo que discordo por completo, mas vamos imaginar esse cenário), não devemos lutar pela justiça globalmente? Não podemos tentar mudar algo, mesmo que esteja a acontecer do outro lado do oceano? O mundo tem de mudar, porque devia ser inato lutarmos por um mundo que seja JUSTO para todos.

O problema é fazer o trabalho de casa, e por isso, heis um desafio, porque sei que tudo o que é desconhecido é assustador: e se da próxima vez que um sentimento de medo, insegurança ou ódio surgir em relação a outra pessoa nos focarmos no que é igual? E, se o desconhecido é assustador porque não tentar que passe a ser conhecido? Travem amizades com aqueles que são diferentes de vocês, e com aqueles que têm crenças que não são semelhantes às nossas. O mundo tem de mudar (a boa notícia é que todos nós podemos ser parte da mudança).

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Novos Projectos

Mafalda, 23.06.20

Sabem que a minha cabeça anda sempre a fervilhar com coisas para fazer, não gosto de estar parada nunca, e embora a época de exames ainda não tenha acabado já tenho mil e um planos sobre o que vem a seguir.

Hoje tive uma nova ideia: no que me restar do Verão vou escrever uma biografia sobre o meu avô. Já vos falei dele há uns tempos aqui, gostava muito dele, era um homem em condições (a minha avó diz sempre que já não se fazem homens daqueles). Não vai ser nada grandioso com o objectivo de publicar ou ser lido por muitos, mas outro dia reparei que os meus primos praticamente não conheceram o grande homem que o meu avô foi, e, como já estão na idade em que o bichinho da leitura morde decidi que o iria fazer para eles.

Vou entrevistar os seus irmãos (eram muitos, mas agora só 5 deles é que estão vivos), os seus amigos do tempo da guerra e de depois dela, a minha avó (que conta sempre a mesma história sobre o garoto de olhos azuis mar que se apaixonou perdidamente por ela) e por fim darei a minha perspectiva. Não sei se é um plano ambicioso mas é uma história que sei que tenho de escrever, vamos lá ver como corre.

A entropia crescente do universo

Mafalda, 22.06.20

Entropia - medida da desordem de um sistema. Desordem ou imprevisibilidade

 

Entropia é a minha palavra favorita, descobria no meio dos meus livros aos 10 anos, procurei o seu significado nos dicionários poeirentos do meu avô, e, desde aí nunca mais a larguei.

Segundo as leis da física, a todos os momentos, o universo caminha em direcção a uma entropia crescente. Parece um paradoxo, toda a ordem em que vivemos no meio da desordem do universo. 

Por vezes (muitas vezes, se vou ser honesta) pergunto-me se não somos apenas um mecanismo do universo para a aumentar a desordem, com todo o caos que existe no mundo, esta teoria parece credível. De vez em quando, enquanto contemplo o céu nocturno penso nas guerras, no ódio, na fome, na morte... Quando me sinto particularmente pessimista o meu ser olha para cima e vê as explosões das super-novas, em vez do brilho das estrelas.

No entanto, se os seres humanos existissem somente para aumentar o caos do universo, onde ser encaixaria o amor? A bondade? A amizade e a paz, o nascer do sol e as gargalhadas com amigos?

E se, em vez de reduzidos a um mecanismo para aumentar o caos do universo, somos seres que existem para o contrariar? Seres que nasceram para trazer a ordem, mas que por vezes se desviam no caminho, quando a entropia fala mais alto, e se somos seres que existem para lutar contra ela? Contra a entropia crescente que existe no universo e que por vezes forma a ordem como consequência do seu caos.

Hoje decidi lutar contra a entropia. Não ganhei (e não sei se algum dia as leis da física me deixarão ganhar), mas soube bem, durante um dia pensar que sou importante o suficiente, para o Universo ter de lutar contra mim.

 

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3 podcasts que valem a pena

Mafalda, 14.06.20

No princípio do ano fiz uma promessa a mim mesma, ia aprender uma coisa nova todos os dias. Sou assim, muito curiosa por aprender mais, e, embora não possa dizer que tenha falhado redondamente, não tenho conseguido cumprir o desafio a 100%. 

Poderia dizer que é falta de tempo (porque sim, especialmente agora ele escasseia) mas acho que por vezes é preguicite aguda de arranjar formas de otimizar o tempo "morto", por isso ultimamente tenho ouvido podcasts, e tenho a dizer que graças a eles tenho conseguido cumprir o objectivo. Alguns têm cerca de 10 minutos, outros têm 1 hora inteira, existem podcasts para todos os gostos e é possível ouvi-los em quase todo o lado. Já o fiz enquanto caminhava, andava de bicicleta, limpava a cozinha e passava a roupa, e não há nada que seja tão interessante e prático como fazê-lo durante esses momentos.

Aqui vão as minhas sugestões:

1. Not Over Thinking (em inglês) 9/10 

Este é o podcast mais longo que ouço, mas também aquele que mais aprecio. A sua regularidade é semanal, embora eu esteja a ouvir as centenas de episódios antigos que existem. São podcasts de cerca de uma hora que não são difíceis de ouvir. Normalmente são conversas entre os anfitriões e convidados que abordam temas muito diversos mas profundos, que analisam a nossa condição humana.

 

2. Tubo de Ensaio TSF  10/10 

Tenho de admitir que é isto que ouço quando preciso de me rir um bocadinho. O Bruno Nogueira, faz stand-up durante 3 ou 4 minutos, sobre temas da atualidade, e, embora não seja para todos essa arte de brincar com coisas sérias, eu adoro. Faz me lembrar o meu professor de Filosofia do 10º ano. Tenho de admitir que não aprendo nada com estes minutos, mas, faz sempre bem dar uma boa gargalhada todos os dias.

 

3. Stuff You Should Know (em inglês)

Este tem também só cerca de 10 minutos, mas é o mais informativo de todos. Em todos os episódios é se falado de um tópico ou conceito e este é nos explicado. É assim uma espécie de facto interessante do dia, feito por dois locutores que fazem uma dupla fantástica. Fico sempre deveras fascinada com as coisas que descubro nestes episódios.

Estes são apenas 3 podcasts que ouço, mas existem muitos mais. Às vezes ponho-me a imaginar quão engraçado seria se nós, pessoal aqui da blogosfera, fizéssemos um podcast, tenho a certeza que seria incrível.