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The art of living

23
Abr20

O meu avô

Mafalda

O meu avô era um senhor bonito e engraçado, com as mãos enrugadas e os olhos mais bonitos que algum dia vi. Pareciam o mar num dia bonito, tão azuis que tinha medo de me afogar neles.

O meu avô levava-me em aventuras, juntos embarcávamos na viagem na sala da minha avó, deitados no pedacinho de chão que não estava ocupado por sofás e móveis, agarravamo-nos um ao outro e ele sussurrava-me histórias. Era sempre eu a primeira a embarcar na aventura do sonho, mas ele seguia-me e durante uma hora navegávamos juntos, bem agarradinhos, para não nos perdermos um do outro.

Gostava de pássaros e de pessegueiros, tinha-os no seu quintal.Guardava os pássaros e todos os dias cuidava deles como filhos, deixava-os crescer, e depois deixava-os voar.

O meu avô morreu quando eu tinha 8 anos, mas antes disso ensinou-me a ser tudo o que sou hoje, a ser humana. Ainda me lembro de passear na rua com ele pela mão, tracinhas no cabelo e de me sentir a menina mais sortuda do mundo porque comigo caminhava o senhor António. O senhor António era o António da farmácia para muitos, o "senhor que vem cá às três da manhã quando a mamã está doente" para alguns, um médico na guerra colonial para os que lêem livros de história, o senhor que empresta dinheiro, dá comida, está pronto a dar uma mão amiga, para outros. Mas, para mim o Senhor António era só o meu avô.

Não era um herói, nem era perfeito, também me fazia chorar quando me portava mal, também discutia com a minha avó, também era teimoso que nem uma mula, mas o meu avô era um homem bom, dos melhores que algum dia conheci, e os homens bons devem ser recordados. Por isso lembremos hoje, todos os homens bons que um dia fizeram surgir estrelas nos nossos olhos, sorrisos nos nossos lábios, bondade no coração e que, nos ensinaram, quão bom é sonhar.

 

 

21
Abr20

Itália - antes do Covid 19

Mafalda

Itália é um dos focos centrais da Europa neste momento, e as vidas daqueles que lá vivem foram alteradas para sempre, um pouco como acontece em todo o mundo. Este é um daqueles momentos de que se fala nos livros de História, e nós, estamos a vivê-los.

Em Fevereiro tive a oportunidade de experienciar a beleza italiana, antes do Covid-19 ter atacado em força.

Dia 14 de Fevereiro partimos de madrugada, rumo a mais uma aventura pela Europa fora, desta vez o destino foi Roma.

Pelas ruas cheias de cores e cheiros e pessoas novas descobrimos amigos, e, descobrimos que os italianos são sem dúvida tudo aquilo que ouvimos. São acolhedores e fazem-nos sentir em casa.

Passeamos pelas pequenas ruelas onde encontramos galerias de arte a cada esquina, pelas grandes ruas agitadas que as igrejas povoam com os seus edifícios magnificentes e pelo Vaticano, onde recomendo que passem pelas galerias de arte que levam até à capela Sistina, as paredes estão cobertas de arte e senti-me tão assoberbada, como se estivesse submersa no passado, num mundo fantástico de cor, textura, ouro e preciosidade.

Subimos à cúpula de São Pedro e admiramos Roma de cima enquanto o sol desaparecia e aprendemos porque é que a palavra mozzafiato não pode ser traduzida literalmente (utilizamo-la quando vemos algo tão divinamente bonito que nos tira a respiração).

Em Roma aprendemos o significado de amare a cidade, e no caminho para Portugal aprendemos o significado de saudade.

A todos aqueles que se encontram em Itália, a todos aqueles que sabem a saudade que fica depois de se voltar ou aqueles que mal podem esperar para ir, aqui ficam as fotos, de Itália antes do Covid-19.

 

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(fontana de Trevi)

 

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 (o Vaticano ao longe)

 

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 (as ruínas Romanas)

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(o Vaticano e Roma, vistos de cima)

 

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(o famoso Coliseu)

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(um dos pratos fantásticos que provamos)

 

 

18
Abr20

Por aqui lê-se..... Toda a luz que não podemos ver

Mafalda

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                 É correto? - disse a Jutta - fazer algo só porque toda a gente o faz?

Verdade seja dita, li este livro há cerca de 3 anos e gostei muito dele, mas, de todas as vezes que me sentei de novo pronta a rele-lo perdia a motivação em menos de 15 minutos, pensei que na verdade nunca iria voltar a ler aquele livro e que iria ser uma paixão de uma noite.

No entanto, confinada em casa as opções de leitura reduzem-se e vi me quase "obrigada" a voltar a tentar lê-o, e ainda bem que o fiz. 

Esta é uma história que se passa durante o Holocausto mas não é sobre o Holocausto. Claro, que todas as personagens acabam por ser influenciadas pelas circunstâncias temporais em que vivem, mas a temática da história é na verdade uma menina que é cega e um órfão que tem uma paixão por rádios. O enredo acaba por fazer com que as vidas destes dois se cruzem, por breves momentos, mas são esses breves momentos que fazem do livro a obra prima que é.

Gosto muito de revisitar os meus livros porque é como a sensação de voltar a casa para mim, mas não sei se o farei tão cedo, não porque não mereça ser relido vezes e vezes sem conta mas acho que a beleza deste livro em particular assenta no facto de desconhecermos ou estarmos esquecidos da inocência e humanidade que envolve toda a história.

Recomendo vivamente. E por aí? O que é que se lê?

Pág. 2/2

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