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The art of living

11
Mai20

Aprender a ler com calma

Mafalda

A quarentena traz coisas boas e más (tendo a acreditar que maior parte delas são más porque há pessoas a morrer, e pessoas que continuam a ter de se expor todos os dias porque têm de ir trabalhar e injustiças dessas) e para mim trouxe-me uma coisa nova que nunca antes tinha experimentado. Ler, mas agora com calma, devagar.

Como já vos disse neste post sempre fui o tipo de miúda, mesmo quando era pequena, que lia 5 livros de uma vez (ou mais), rapidamente. Quase que nem dava tempo para os meus olhos pousarem nas palavras. Sinto que, talvez, isso se devia ao facto de sentir que a minha vida inteira nunca seria suficiente para ler tudo aquilo que queria ler.

No entanto, embora a minha vida em geral não tenha abrandado e até se tenha tornado mais complicada, este tempo em casa ensinou-me a ler da forma que sempre devia ter lido. A saborear cada palavra, a reparar na forma como estas pousam no papel.

Claro que continuo com medo de nunca conseguir ler tudo o que quero, mas o medo de me escaparem coisas em livros que já li (porque os li rápido demais) é maior.

Talvez seja por isso que não tenha havido esta semana o meu tão querido "Por aqui lê-se".

A verdade é que por aqui continua-se a ler, no entanto o ritmo é diferente.

 

01
Mai20

Por aqui lê-se..... Flores

Mafalda

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A solidão deve ser a única emoção que não conseguimos partilhar, se o fizermos ela desaparece.

Este livro foi me oferecido no natal por uma pessoa muito queria, vinha com post its por dentro, escritos por ela a dizer-me os seus próprios pensamentos sobre a história que se estava a desenrolar, à medida que a lia. Não sei por isso se o meu encanto pelo livro se prende com o carinho carregado com ele ou com a própria história, mas creio que é um pouco dos dois.

Este livro fala-nos da história de um homem e do seu vizinho, e como a vida de um do outro acaba por mudar o curso da sua história para sempre. O primeiro é um homem estranho, cujo casamento se está a desmoronar aos pedaços e cuja filha pequena não fala com ele por ressentimento. O seu vizinho, é um homem que não se lembra do seu passado, de todas as memórias que algum dia o fizeram feliz e que sofre intensamente com todas as desgraças que lê nos jornais e que se espalham como uma praga pelo mundo.

Esta é também a história do que resta de nós enquanto pessoas quando a nossa memória se perde, e da jornada para a tentar recuperar. Fala sobre o mundo, sobre o amor, sobre as pessoas que se cruzam na rua todos os dias, sem sabermos a história delas, e elas a nossa.

No fundo o que gostei neste livro é o facto da ação ser tão simples que nos faz sentir que nos fala sobre nada, mas, nas entrelinhas, falar-nos sobre algo tão profundo que nos faz por toda a nossa vida em perspectiva.

Recomendo! 

24
Abr20

Por aqui lê-se..... Quero a minha mãe

Mafalda

                                                                           (Imagem daqui)

Este é de novo um dos livros que revisitei (a temática parece manter-se nesta quarentena), é também um livro baseado numa história real, escrito por uma mãe de acolhimento que relata as histórias das crianças para quem a sua casa serviu de lar.

Cathy Glass apresenta-nos neste livre uma menina, Alice, 4 anos, cabelo castanho claro, olhos enormes que querem engolir o mundo inteiro de uma só vez, e, uma enorme vontade de voltar para junto dos avós e da mãe.

Esta não é uma história de maus tratos. É uma história onde os serviços sociais falham, o serviço de saúde falha, e, uma mãe com problemas mentais e toxicodependente vê-se primeiro obrigada a dar a guarda da filha aos avôs que a tratam com amor, e por fim, vê a filha partir para uma casa de acolhimento porque os avôs são considerados velhos demais a longo prazo para cuidar da filha.

A escrita desta obra não é complicada e cheia de floreados, fluí muito naturalmente, e, é essa genuinidade aliada ao facto de ser sustentada por factos verídicos que a torna tão bonita e fácil de ler. Quanto a li pela primeira vez era muito mais nova, e por isso, os problemas arrebatadores que esta história acarreta não me chocaram porque não percebi o que significava aquilo que estava a ler. Agora, muito mais velha, percebo a história de uma outra perspectiva.

Esta é um história que partiu o meu coração mas que também mudou a minha vida, recomendo!

18
Abr20

Por aqui lê-se..... Toda a luz que não podemos ver

Mafalda

IMG_20200418_131628.jpg

                 É correto? - disse a Jutta - fazer algo só porque toda a gente o faz?

Verdade seja dita, li este livro há cerca de 3 anos e gostei muito dele, mas, de todas as vezes que me sentei de novo pronta a rele-lo perdia a motivação em menos de 15 minutos, pensei que na verdade nunca iria voltar a ler aquele livro e que iria ser uma paixão de uma noite.

No entanto, confinada em casa as opções de leitura reduzem-se e vi me quase "obrigada" a voltar a tentar lê-o, e ainda bem que o fiz. 

Esta é uma história que se passa durante o Holocausto mas não é sobre o Holocausto. Claro, que todas as personagens acabam por ser influenciadas pelas circunstâncias temporais em que vivem, mas a temática da história é na verdade uma menina que é cega e um órfão que tem uma paixão por rádios. O enredo acaba por fazer com que as vidas destes dois se cruzem, por breves momentos, mas são esses breves momentos que fazem do livro a obra prima que é.

Gosto muito de revisitar os meus livros porque é como a sensação de voltar a casa para mim, mas não sei se o farei tão cedo, não porque não mereça ser relido vezes e vezes sem conta mas acho que a beleza deste livro em particular assenta no facto de desconhecermos ou estarmos esquecidos da inocência e humanidade que envolve toda a história.

Recomendo vivamente. E por aí? O que é que se lê?

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