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The art of living

A epidemia da intolerância

Mafalda, 20.05.20

Este post está na gaveta de ideias há imenso tempo, e, visto que este fim-de-semana se festejou o Dia Internacional contra a Homofobia e Transfobia decidi que era a altura correta para o trazer. Isto são apenas opiniões que são minhas, e a história que também é minha de como é fazer parte da comunidade LGBTQI+ nos dias de hoje.

(Acabei de sair do armário na blogosfera? Parece que sim)

Bem para começar o que são a homofobia e a transfobia?

A homofobia é o preconceito contra a homosexualidade, e, a transfobia, como devem já estar a adivinhar, é o preconceito contra pessoas transgênero.

E eu sei, toda a gente acha que em pleno século XXI já não há coisas dessas, mas, cada vez mais percebo, que, embora não haja tantas manifestações violentas (pelo menos em Portugal) contra as pessoas desta comunidade, há coisas que demonstram que no fundo a sociedade ainda resiste à mudança. Há o olhar de lado, palavras com conotações negativas que querem dizer homosexual, há aqueles que insultam verbalmente e aqueles que dizem aquelas coisas que parecem disfarçadamente não ofensivas como "eu aceito... mas não gosto" (o que para mim me soa um pouco a falta de aceitação). 

Depois há os estereótipos, a pergunta que nunca falha de quem é o homem ou a mulher da relação ou a pergunta se tenho a certeza que gosto mesmo de meninas, ou aquele olhar de cima abaixo que diz "não tens ar de quem é isso". Sim, também já me chamaram "isso", como se fosse uma coisa nojenta, repugnante cujo nome não pode sequer ser pronunciado ou então virá mal ao mundo.

É importante educar todos para que no futuro os nossos netos, sobrinhos e filhos não tenham de viver assim. É importante educar as nossas crianças. Não só porque a nossa arma contra a intolerância é educar desde cedo, mas porque quem sabe se um dia a nossa criança não vai "descobrir" (e uso descobrir entre aspas porque não é assim tão linear) que se identifica como parte da comunidade LGBTQI+, e, caso isto aconteça queremos (ou pelo menos eu quereria independentemente de como me identifico) que ela se sentisse confortável em falar comigo, até porque, numa sociedade onde é visto como a norma ser-se heterossexual pode ser confuso para alguém ainda numa fase de crescimento perceber que não é visto como "normal" por todos aqueles que o rodeiam.

Quando contei aos meus pais que gostava de uma menina a primeira coisa que me disseram foi "não te exponhas", não porque tinham vergonha de mim, mas porque as pessoas podem ser más. Durante muito tempo segui este conselho, confinando a verdade sobre a minha sexualidade a um grupo muito restrito de amigos, mas, decidi com o tempo, que,há pessoas más, mas há também aquelas que me apoiam todos os dias, aquelas que lutariam com unhas e dentes para ver os meus direitos assegurados, e, percebi que há pessoas que precisam de mim, como voz por aqueles que ainda não encontraram a sua para contar a sua verdade.

Este é um post sobre mim, mas também é pelas Marias, pelos Josés, pelas Anas e pelos Franciscos. Este é um post para todos aqueles que precisam de saber que não faz mal ser um bocadinho diferente daquilo que a sociedade acha que é o normal.

A epidemia da intolerância espalha-se, mas também se espalham as pessoas que defendem que amar devia ser um direito de todos. E essas pessoas são o meu tipo de pessoa.

 

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