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The art of living

03
Set20

A (Super) Mulher do Século XXI

Mafalda

(para a minha mãe e avó, que são autênticas super mulheres)

Levanta-se. O despertador ainda não tocou mas ela ganha sempre a batalha contra o sono. São 6 da manhã.

É agora que vai ter tempo para ler o jornal que está pousado na mesa da cozinha, antes que os miúdos acordem. Dirige-se determinada à sala, mas as memórias da noite anterior invadem-na: Há roupa por passar.

O seu animo não esmorece. Chávena de café na mão e pilha de roupa na outra pensa no seu dia. Lá fora, a cidade ainda dorme, mas ela, já acordada, planeia como é que vai salvar o mundo hoje. Talvez sejam os morangos que vai por na lancheira da mais nova, ou talvez, depois da escola os leve aos 2 a comer um gelado. Não se apressa, ser (super) mulher tem destas coisas.

A roupa está passada. Senta-se à mesa, abre o jornal. Começa a ler.

Os gritos mal humorados de quem acabou de acordar espalham-se pela casa. Por um segundo finge não ouvi-los, mas ela não é assim, não ignora as suas responsabilidades.

Trata dos miúdos. Veste-se. Leva-os à escola. Vai para o trabalho.

O animo já não é tão vincado no seu rosto, porque afinal não acabou o seu café e não leu o jornal. Mas não desiste, ainda pode salvar o mundo hoje.

Dirige um sorriso e uma palavra amigável a todos que passam por ela. Faz o trabalho para o dia, marca no seu post-it amarelo um certo e prepara-se para sair, mas fica. Não porque não tem o desejo de ir para casa, mas porque a sua colega ainda ali está. As super mulheres não deixam ninguém para trás.

Chega a casa depois das 18h, os miúdos precisam de um banho. Ups, não os levou a comer gelado. "Paciência" pensa para com ela, "amanhã prometo que faço isso".

A irmã liga-lhe e o filho torce o nariz. Eles não percebem porque é que a mãe passa horas ao telemóvel a falar com as amigas ou familiares, mas o que não sabem é que mesmo nos dias em que está muito cansada, ela não o dispensa. Ser (super) mulher também é ouvir os outros e os seus problemas.

O jornal continua em cima da mesa. Os miúdos vão para a cama. Ela tenta levanta-lo, mas o dia derrotou-a. O animo é substituído por esperança para o dia seguinte.

Ela não sabe, mas nesse dia salvou o mundo muitas vezes: com o morango na lancheira da filha, quando deixou o miúdo escolher a música no caminho para a escola, quando ajudou a colega no trabalho, quando ouviu sobre o divórcio da irmã. Até mesmo quando, em vez de ler o jornal decidiu ler uma história para os meninos adormecerem.

Ela é uma super mulher, não usa capa e não mata vilões, mas todos os dias, bocadinho a bocadinho, salva o mundo.

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