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The art of living

22
Jun20

A entropia crescente do universo

Mafalda

Entropia - medida da desordem de um sistema. Desordem ou imprevisibilidade

 

Entropia é a minha palavra favorita, descobria no meio dos meus livros aos 10 anos, procurei o seu significado nos dicionários poeirentos do meu avô, e, desde aí nunca mais a larguei.

Segundo as leis da física, a todos os momentos, o universo caminha em direcção a uma entropia crescente. Parece um paradoxo, toda a ordem em que vivemos no meio da desordem do universo. 

Por vezes (muitas vezes, se vou ser honesta) pergunto-me se não somos apenas um mecanismo do universo para a aumentar a desordem, com todo o caos que existe no mundo, esta teoria parece credível. De vez em quando, enquanto contemplo o céu nocturno penso nas guerras, no ódio, na fome, na morte... Quando me sinto particularmente pessimista o meu ser olha para cima e vê as explosões das super-novas, em vez do brilho das estrelas.

No entanto, se os seres humanos existissem somente para aumentar o caos do universo, onde ser encaixaria o amor? A bondade? A amizade e a paz, o nascer do sol e as gargalhadas com amigos?

E se, em vez de reduzidos a um mecanismo para aumentar o caos do universo, somos seres que existem para o contrariar? Seres que nasceram para trazer a ordem, mas que por vezes se desviam no caminho, quando a entropia fala mais alto, e se somos seres que existem para lutar contra ela? Contra a entropia crescente que existe no universo e que por vezes forma a ordem como consequência do seu caos.

Hoje decidi lutar contra a entropia. Não ganhei (e não sei se algum dia as leis da física me deixarão ganhar), mas soube bem, durante um dia pensar que sou importante o suficiente, para o Universo ter de lutar contra mim.

 

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14
Mai20

Se um dia deixar de ser quem sou

Mafalda

Há várias coisas de que tenho medo. 

Tenho medo de abelhas, mosquitos (coisas assim que mordem ou sugam o sangue fazem-me confusão), tenho medo de aranhas, tenho medo de filmes de terror daqueles que toda a gente gosta. Também tenho medo de coisas menos palpáveis como a solidão. Tenho medo de um dia não me lembrar quem um dia fui.

Há tantas doenças dessas que andam por aí, que matam os neurónios no nosso cérebro, que fazem com que as nossas memórias se tornem numa papa pouco consistente que não nos permite lembrar do nosso primeiro beijo, ou dos nossos entre queridos, ou das aventuras que vivemos.

Tenho medo disso, de viver uma vida preenchida por amor, felicidade (e também algumas desilusões) e de não me lembrar. Não me lembrar das vezes em que o vento quente de junho me tocou na cara, não me lembrar como é o calor das mãos que nos amam quando se encaixam nas nossas, não me lembrar de como é sentir a chuva a cair sobre o nosso cabelo.

Não tenho medo de morrer, mas tenho medo que o meu ser morra antes de mim mesma.

Mas, mais medo do que perder a memória, um processo sobre o qual não tenho qualquer tipo de controlo, tenho medo de deixar de ser quem um dia fui. De deixar as morais sobre as quais me guiei durante toda a minha vida para me preocupar com coisas fúteis. Tenho medo de, voluntariamente, deixar a minha personalidade vincada que define quem sou e me tornar em café diluído em água: outrora forte, mas agora uma mistela semi-quente que não tem qualquer sabor.

Se um dia deixar de ser quem sou lembrem-me de que um dia fui, podemos sempre fazer uma chávena de café nova.

Most people's deaths are a sham. There's nothing left to die.

                                     - Charles Bukowski

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